O Governo de Santa Catarina marcou para a tarde desta segunda-feira, dia 18, a assinatura de um decreto de estado de alerta climático em razão da possível aproximação de um super El Niño. O fenômeno pode aumentar a ocorrência de eventos climáticos extremos no estado, como inundações, alagamentos, enxurradas e deslizamentos.
Segundo a Defesa Civil, a tendência é que o El Niño comece a se estabelecer a partir de junho, com maior intensidade prevista para a primavera, especialmente no mês de setembro. O fenômeno ocorre quando há aquecimento igual ou superior a 0,5°C nas águas do Oceano Pacífico Equatorial, provocando reflexos no clima em várias regiões do planeta. Ele costuma ocorrer em intervalos de dois a sete anos.
O decreto, que será assinado pelo governador Jorginho Mello, tem como objetivo colocar o Estado e os municípios em situação permanente de atenção, facilitando a adoção de medidas preventivas e emergenciais. A proposta é reduzir a burocracia em processos relacionados a ações de resposta, aquisição de itens de assistência humanitária e execução de obras necessárias diante de possíveis desastres naturais.
A medida também deve agilizar a homologação de decretos municipais de emergência, dando mais autonomia aos prefeitos para tomar decisões imediatas em situações de risco.
De acordo com o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, coronel Fabiano de Souza, o decreto antecipa a preparação para possíveis desastres provocados pelo El Niño. Ele destacou que a medida prevê a criação de um comitê de crise estadual e mecanismos para dar mais rapidez às ações de enfrentamento, especialmente em casos de inundações.
A duração inicial do decreto será de 180 dias, com possibilidade de prorrogação, caso os efeitos do fenômeno persistam.
As projeções indicam que, entre o fim do outono e o inverno, o El Niño deve atuar com intensidade fraca a moderada. Já na primavera, a previsão aponta para intensidade forte a muito forte. Como esse período já costuma ser naturalmente chuvoso em Santa Catarina, a influência do fenômeno pode elevar o risco de chuva acima da média e eventos extremos.
Além do aumento das precipitações, o El Niño também pode influenciar as temperaturas no estado. A previsão aponta para um inverno com mais chuva e temperaturas mais elevadas, além de um verão marcado por calor intenso e maior frequência de ondas de calor.
Diante do cenário, a Defesa Civil reforça a importância do monitoramento constante e da preparação antecipada dos municípios para reduzir impactos e proteger a população em áreas de risco.